Design com Propósito
Como fundamentos pedagógicos e técnicas de aprendizagem ativa transformaram minha transição para o UX/UI Design
2020–2021
UX/UI Designer
Transição de carreira das ciências humanas para o design digital. Sem experiência de mercado, ainda descobrindo como aplicar técnicas e frameworks, mas com um ativo pouco valorizado: saber como as pessoas aprendem, processam informação e tomam decisões.
“Um olhar honesto sobre os primeiros projetos: como apliquei meu background em ciências humanas e técnicas pedagógicas para estruturar um processo de UX.”
Para quem foi feito
Projetos autorais e nos primeiros anos de carreira nas primeiras empresas em que trabalhei.
O Cenário Inicial
Como UX/UI Designer Júnior com bagagem em ciências humanas e pedagogia, o desafio era desbravar o mercado e aprender metodologias, técnicas e frameworks de design. No início, a aplicação dessas ferramentas ocorria sem um entendimento profundo dos resultados, mas o olhar atento das ciências humanas e da pedagogia me deu a base necessária para estruturar pesquisas de design e pensar minhas entregas de forma diferenciada.
O Conflito e Objetivo
A falta de maturidade com softwares de design poderia limitar a velocidade das entregas, mas a capacidade de compreender as necessidades humanas precisava se destacar. O objetivo central era provar que uma abordagem focada no entendimento do usuário, guiada pelo rigor da pedagogia, poderia orientar decisões de interface, garantindo projetos fundamentados em necessidades reais.
→Cenário: Desafio de aliar a transição de carreira com o aprendizado de frameworks de design
→Conflito: Equilibrar a inexperiência técnica com uma forte base metodológica em ciências humanas
→Objetivo: Estruturar pesquisas para embasar decisões e garantir entregas fundamentadas
O Problema Complexo: A maior restrição era o tempo e a necessidade de, muitas vezes, conduzir discoveries, pesquisas e ideação sozinho. Sem bagagem prévia de mercado, isso se tornava uma barreira, mas as ciências humanas foram essenciais para superá-la. Além disso, embora houvesse desenvolvedores e gerentes de produto no cenário, a falta de experiência dificultava a conexão inicial com eles. Foi resgatando minha vivência de sala de aula e a base pedagógica onde encontrei formas de estreitar essas relações, facilitando a comunicação e aprendendo a fazer o alinhamento técnico.
Trade-offs (Os Sacrifícios): Apesar de usar pesquisas, matrizes e o método STAR, eu não abri mão da alta fidelidade visual. Somar o processo ao meu conhecimento pedagógico — inspirado muito no método de aprendizagem de Piaget — me facilitou entender melhor os padrões de design de experiência e de interface. Meu ponto mais forte sempre foi construir UIs usuais. Por isso, mantive o foco no que era importante para o usuário executar sua função, alcançando visualmente o caminho e o objetivo que ele desejava dentro da aplicação.
Gestão de Stakeholders e Influência: Não criei nada mirabolante ou novo. Utilizei o conhecimento que eu já tinha de sala de aula para validar ideias e superar desafios. Ao aplicar técnicas e ferramentas de UX, minha bagagem educacional ajudou a garantir entregas que uniam estética, usabilidade e validação metodológica.
→Restrição: Necessidade de conduzir pesquisas e discovery muitas vezes sozinho
→Trade-off: Aliou o embasamento de pesquisa à alta fidelidade visual sem sacrificar a usabilidade
→Influência: Uso da base pedagógica de Piaget para alinhar viabilidade técnica e entender padrões de interface



A Base Pedagógica de Piaget no UX: Para organizar meu raciocínio e metodologias, recorri à teoria da aprendizagem de Jean Piaget, focando nos conceitos de assimilação e acomodação. Resumidamente, a assimilação ocorre quando recebemos uma nova informação, e a acomodação é o ajuste das estruturas mentais para integrar esse novo conhecimento de forma equilibrada. Fiz um paralelo direto disso com UX: entender o problema do usuário (pesquisa/discovery) era a assimilação; já desenhar as soluções e fluxos era o processo de acomodar esse conhecimento. Somente após essa 'acomodação' das dores reais é que a execução fluía de forma tranquila.
Processo Visual: Com o raciocínio bem fundamentado pela mentalidade educacional, o desenvolvimento visual e a ideação se tornavam mais assertivos. O objetivo principal passou a ser a construção de interfaces usuais que traduziam o que foi compreendido em processos anteriores, permitindo que o usuário executasse com clareza o caminho que desejava alcançar dentro da aplicação.
Processo Visual e Descarte
Ideias iniciais e fluxos que não passaram nos testes de guerrilha foram descartados. Apresentar os erros e os rabiscos foi fundamental para provar o raciocínio iterativo.
Racional do Sistema
O sistema não era focado apenas em estética, mas em mapas de intenção. A acessibilidade foi tratada não como um extra, mas como restrição inegociável desde o primeiro esboço.
Abordagem Baseada em Aprendizado
Utilizei abordagens de aprendizado, principalmente de Piaget, para adaptar à realidade dos frameworks e rotinas de UX e UI. Independentemente de estar desenhando telas ou aplicando técnicas fundamentais com as ferramentas necessárias, juntei tudo isso no meu início de carreira (nos dois primeiros anos). Foi com essa base sólida que trabalhei e colaborei em projetos — mesmo que pontuais ou com mudanças de features — para grandes clientes como Ambev, Sólides, Rede D'Or, Gupy e Banco do Brasil.

Os resultados deste projeto comprovaram que a transição de carreira não me deixou em desvantagem técnica; pelo contrário. A aplicação da teoria de Piaget (assimilação e acomodação) provou ser um framework poderoso para organizar os métodos e ferramentas de UX, alinhando as expectativas com engenharia e negócios.
Redução de Carga de Suporte: Em um dos projetos focados em fluxos de agendamento, alcançamos uma redução de cerca de 15% nas chamadas repetitivas de suporte nos três primeiros meses pós-lançamento. Validei essa métrica cruzando os logs de atendimento pré-lançamento com os feedbacks da nova interface, confirmando que a nova arquitetura da informação antecipava as dúvidas crônicas dos usuários.
Otimização do Fluxo de Trabalho: Internamente, o uso da minha vivência educacional para facilitar a comunicação com os desenvolvedores reduziu a taxa de refação (rework) em aproximadamente 20%. Medimos isso rastreando o ciclo de vida dos tickets ágeis durante as sprints: fluxos entregues com as 'dores' já resolvidas voltavam significativamente menos da área de engenharia e QA.
-15%
Em chamadas repetitivas de suporte (comprovado via logs de atendimento)-20%
Na taxa de refação técnica (rework) acompanhada via tracking de sprintsQA
Maior fluidez nas entregas e redução de retornos do time de qualidade


O Valor dos Erros Iniciais: Os primeiros anos de carreira nunca são fáceis. Há muita coisa para absorver e, inevitavelmente, muitos erros são cometidos. No meu caso, a obsessão inicial por documentar todas as decisões de design e o excesso de rigor na pesquisa geraram fricções desnecessárias e alongaram prazos. Contudo, esses tropeços foram essenciais para me deixar mais preparado e maduro.
A Visão do Todo (O que faria diferente): Hoje entendo que a maturidade em UX vai muito além de saber aplicar técnicas e frameworks de design à risca. Projetos não são construídos apenas com metodologias; eles são feitos de pessoas, restrições e interações multifacetadas. Se eu pudesse voltar, teria ampliado meu olhar muito mais cedo: entenderia as necessidades globais do projeto, os desafios de governança, as barreiras das outras áreas e, acima de tudo, a importância de alinhar a teoria de design com a realidade e a agilidade do negócio.
→Autocrítica: Erros iniciais por excesso de rigor metodológico foram fundamentais para amadurecimento
→Evolução: Transição de uma visão puramente técnica para uma abordagem holística do projeto
→Lição: Projetos são feitos de pessoas, governança e alinhamentos diários, não apenas de frameworks
